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- Casal é indiciado por homicídio qualificado após morte de menino de 4 anos em Florianópolis, em 17 de agosto.
- Padrasto pesquisou em IA: “O que acontece se ficar enforcando muito uma criança?”.
- Palavra-chave “padrasto” aparece em mensagens e vídeos que comprovam os maus-tratos.
A mãe e o padrasto de um menino de 4 anos foram indiciados por homicídio qualificado após a morte da criança em 17 de agosto, em Florianópolis (SC). De acordo com a Polícia Civil, no dia do crime, o padrasto fez uma busca no ChatGPT perguntando: “O que acontece se ficar enforcando muito uma criança?”.
A criança foi levada ao Multihospital da capital desacordada e em parada cardiorrespiratória. Apesar dos esforços da equipe médica, o menino não resistiu.
O casal foi preso após a morte. A mãe foi solta posteriormente, mediante cumprimento de medidas cautelares. Já o padrasto teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.
Investigação concluiu maus-tratos contínuos
Segundo o relatório final da investigação, a criança sofria maus-tratos frequentes, com agressões praticadas pelo padrasto e conhecimento da mãe. A Polícia Civil qualificou o homicídio como praticado com meio cruel e contra pessoa menor de 14 anos.
Entre as provas reunidas estão:
- Laudo de necropsia da Polícia Científica
- Depoimentos de testemunhas
- Análise dos celulares da mãe e do padrasto
O exame cadavérico apontou como causa da morte o choque hemorrágico decorrente de traumatismo abdominal, provocado por instrumento contundente.
Mensagens e vídeos evidenciam agressões
Em análise feita no celular do padrasto, foram encontradas mensagens e registros em vídeo que confirmam os maus-tratos.
Em 5 de agosto, menos de duas semanas antes da morte, a mãe questionou o companheiro sobre marcas no rosto do filho. O padrasto respondeu que havia mordido o rosto da criança, justificando como uma “brincadeira”.
Segundo a Polícia Civil, a conversa revela que a mãe tinha conhecimento do medo que o filho sentia do padrasto e das ações violentas que eram frequentes, mesmo quando disfarçadas de brincadeiras.
Histórico de violência já era conhecido
Em 22 de maio, quando o menino foi internado no Hospital Infantil Joana de Gusmão, a mãe recebeu um vídeo em que o padrasto mostra a criança dormindo no chão. Ela pergunta se o menino havia desmaiado, mas ele nega.
Horas depois, o homem envia uma foto da criança com a orelha roxa. Para a polícia, trata-se de mais uma evidência das agressões.
O menino permaneceu internado por 12 dias naquela ocasião, com diversos hematomas pelo corpo. Um médico informou que os machucados eram “fortemente sugestivos de maus-tratos” e compatíveis com tentativa de defesa.
Mentiras e omissões dificultaram identificação
Na época da primeira internação, o padrasto alegou que o menino teria caído da cama. Já a mãe afirmou em depoimento que chegou a registrar boletim de ocorrência, mas desconfiava de uma babá, não do companheiro.
Com a morte da criança e os dados coletados nos celulares, a Polícia Civil concluiu que os responsáveis já sabiam das agressões, mas omitiram a verdade.
Ministério Público recebe relatório final
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que vai avaliar a denúncia formal.
O casal foi indiciado por:
- Homicídio qualificado por meio cruel
- Homicídio contra menor de 14 anos
- Participação consciente e omissão da mãe
A prisão preventiva do padrasto foi mantida. A mãe responde em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas restritivas.
Casos de violência infantil exigem atenção
A morte do menino de 4 anos reacende o alerta sobre casos de violência doméstica e maus-tratos contra crianças.
Especialistas apontam a importância da denúncia e da observação de sinais como:
- Hematomas frequentes
- Medo constante de um responsável
- Alterações repentinas de comportamento
Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100.
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