Um homem foi preso na madrugada de domingo (30) após espancar a companheira e arrancar a prótese de silicone do seio dela com uma faca. O crime chocante aconteceu em Brasília e está sendo investigado como lesão corporal grave no contexto da Lei Maria da Penha.
Segundo a polícia, a vítima havia passado por uma cirurgia estética recentemente. Durante uma briga, o agressor desferiu socos na cabeça e nas costas da mulher antes de usar uma faca de cozinha para remover violentamente a prótese de silicone do seio esquerdo.
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Mulher é espancada e tem prótese de silicone arrancada
O caso ocorreu por volta das 2h da manhã, dentro da residência do casal. Após o ataque, o homem jogou a prótese pela janela e permaneceu no local. A vítima, em estado de choque e com ferimentos graves, foi socorrida e levada ao hospital.
Ela passou por atendimento de urgência e segue internada, com o quadro de saúde estável. A polícia foi acionada por vizinhos que ouviram os gritos de socorro da mulher.
Agressor foi preso em flagrante dentro de casa
O homem, que não teve o nome divulgado, foi preso em flagrante dentro da casa onde o crime aconteceu. Ele não resistiu à prisão e foi levado para a delegacia da mulher, onde foi autuado por lesão corporal grave com base na Lei Maria da Penha.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o acusado deve responder também por crime de tortura, devido à crueldade do ato. A faca utilizada no crime foi apreendida e será periciada.
Cirurgias plásticas e violência doméstica
Casos de violência contra mulheres que passaram por procedimentos estéticos têm chamado atenção das autoridades. A mutilação de próteses de silicone, como no caso de Brasília, é considerada uma forma extrema de agressão física e psicológica.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, o Brasil registrou mais de 245 mil casos de lesão corporal dolosa contra mulheres, muitos deles cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
Lei Maria da Penha: proteção e punição
A Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, prevê medidas protetivas e punições severas para agressores. Em casos como este, onde há mutilação, a pena pode ultrapassar oito anos de prisão.
Além disso, a vítima tem direito a atendimento psicológico, assistência social e abrigo seguro, caso precise se afastar do agressor.
Vizinhos ouviram gritos e acionaram a polícia
Moradores do prédio relataram que ouviram uma discussão intensa, seguida de gritos desesperados. Uma vizinha, que preferiu não se identificar, contou que ligou para a polícia ao perceber que os sons indicavam uma agressão grave.
“Foi assustador. A gente ouvia ela pedindo socorro, dizendo que ele ia matá-la”, disse a moradora.
Casos semelhantes chocam o país
Infelizmente, esse não é um caso isolado. Em 2022, uma mulher em São Paulo teve a prótese mamária rompida após ser agredida com um soco pelo marido. Em outro caso, no Rio de Janeiro, uma vítima teve o rosto desfigurado após uma cirurgia estética e agressões do companheiro.
Esses episódios mostram como a violência doméstica pode atingir níveis extremos, afetando não apenas a integridade física, mas também a autoestima e a saúde mental das vítimas.
Como denunciar violência doméstica
Mulheres em situação de violência podem procurar ajuda de forma sigilosa. O canal 180, da Central de Atendimento à Mulher, funciona 24 horas por dia, inclusive nos finais de semana e feriados.
Também é possível registrar boletim de ocorrência em delegacias especializadas ou pela internet, através do site da Polícia Civil do DF.
- Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher
- 190 – Emergência da Polícia Militar
- Delegacias da Mulher – Atendimento especializado
Atendimento médico e psicológico para vítimas
Após a agressão, a mulher foi levada ao hospital mais próximo, onde passou por cirurgia de emergência. Ela também foi encaminhada para atendimento psicológico, parte do protocolo de acolhimento de vítimas de violência doméstica.
Segundo especialistas, o trauma causado por esse tipo de agressão pode gerar transtornos como depressão, ansiedade e síndrome do pânico. O acompanhamento profissional é essencial para a recuperação.
Reincidência preocupa autoridades
De acordo com a polícia, o agressor já tinha histórico de violência doméstica. Ele havia sido denunciado por uma ex-companheira em 2021, mas o processo foi arquivado por falta de provas.
A reincidência em casos de agressão é um dos maiores desafios enfrentados pelo sistema de justiça. Muitas vítimas voltam a conviver com o agressor por medo, dependência financeira ou emocional.
Casos devem ser levados a sério desde o início
Especialistas alertam que sinais de agressão, mesmo que sutis, devem ser levados a sério. A escalada da violência costuma começar com xingamentos e controle excessivo, evoluindo para agressões físicas e até feminicídio.
“O caso de Brasília é um exemplo extremo de como a violência pode se agravar quando não há intervenção rápida”, afirma a psicóloga e ativista pelos direitos das mulheres, Renata Souza.
Mobilização social e redes de apoio
Organizações como o Instituto Maria da Penha e a Rede Feminista de Saúde oferecem apoio jurídico e psicológico às vítimas.
Além disso, campanhas de conscientização têm sido fundamentais para encorajar denúncias e quebrar o ciclo da violência.
“Denunciar é o primeiro passo para romper com o medo e buscar justiça”, reforça a coordenadora do Instituto, Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome à lei.
Justiça deve manter agressor preso
O homem preso em Brasília deve passar por audiência de custódia nas próximas horas. A expectativa é que a Justiça mantenha a prisão preventiva para garantir a segurança da vítima.
Enquanto isso, a mulher segue sob cuidados médicos e recebe apoio da rede de proteção à mulher no DF.
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Alerta: violência doméstica é crime e tem punição
Casos como o de Brasília reforçam a urgência de combater a violência doméstica com rigor. O Estado precisa agir com firmeza, e a sociedade deve estar atenta para proteger as vítimas.
Denuncie. Não se cale. A vida das mulheres importa.