sábado, 24 de outubro de 2026
Homicídio

Laudo não identifica cortes em vídeo usado pela defesa de médica investigada pela morte de criança em Manaus

Perícia do Instituto de Criminalística do Amazonas apontou que o arquivo foi recomprimido e não permitiu determinar a origem da gravação, o sistema hospitalar nem a data do registro. Documento poderá ser analisado no processo judicial.
Laudo não identifica cortes em vídeo usado pela defesa de médica investigada pela morte de criança em Manaus
Foto distribuída pela Portal Tucumã

Um laudo do Instituto de Criminalística do Amazonas não identificou cortes, inserções ou sinais de edição em um vídeo apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, em Manaus. O documento, assinado em 6 de outubro, também registra limitações que impediram a identificação da origem da gravação e do sistema hospitalar exibido.

Segundo a perícia, o arquivo analisado era uma cópia recomprimida por um aplicativo intermediário e não continha metadados capazes de indicar sua procedência. A gravação mostra, por meio de uma câmera, a tela de um computador, e não uma captura feita diretamente por um programa.

Perícia não determinou origem do arquivo

O exame não conseguiu apontar qual sistema hospitalar, sistema operacional ou navegador aparecia no vídeo. Também não foi possível identificar o usuário, o estabelecimento de saúde, o paciente ou a data e o horário em que a gravação foi realizada.

Os peritos registraram ainda que o áudio do arquivo não apresenta som, mas não determinaram se a gravação foi feita sem áudio ou se o conteúdo sonoro foi silenciado ou removido depois. Uma parte da tela também estava coberta por um caderno, o que restringiu a análise das informações exibidas.

Delegado diferencia edição de possível manipulação

O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e responsável pela investigação, disse à Rede Amazônica que a perícia foi solicitada antes do encerramento do inquérito para verificar a possibilidade de adulteração do vídeo.

De acordo com Martins, a polícia não afirmou que o arquivo havia sido editado. A suspeita investigada, segundo ele, estava relacionada a uma possível manipulação do sistema hospitalar e do cenário apresentado na gravação. O delegado classificou o material como clandestino no relatório final porque não foi possível determinar onde e em qual computador o vídeo havia sido produzido.

A defesa de Juliana Brasil afirmou à Rede Amazônica que o laudo comprovaria que o sistema errou e declarou que continua procurando elementos para demonstrar a inocência da médica.

Documento pode ser considerado na ação

O inquérito foi concluído, e a Justiça aceitou a denúncia contra Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia. Consultado pela Rede Amazônica, o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que laudos podem ser anexados mesmo depois do encerramento da investigação policial.

Conforme o tribunal, o documento pode ser analisado durante a fase de produção de provas e na decisão de pronúncia ou impronúncia, conforme o juízo responsável pelo caso. A divulgação não informa eventual decisão judicial específica sobre a utilização deste laudo.

Morte de Benício

Benício morreu em 23 de novembro de 2025, em um hospital particular de Manaus. Ele havia sido levado à unidade com tosse seca e suspeita de laringite. A investigação informou que Juliana Brasil prescreveu adrenalina por via intravenosa, embora o tratamento indicado para o quadro fosse a administração por inalação. A técnica Raiza Bentes Praia aplicou o medicamento na veia, mesmo após a mãe questionar o procedimento.

Depois da aplicação, a criança sofreu múltiplas paradas cardíacas e morreu. A investigação apontou erro na administração e superdosagem de adrenalina. Durante o inquérito, a polícia também informou que a médica trocava mensagens sobre a venda de maquiagem enquanto Benício era atendido e que ela se apresentava como pediatra sem possuir Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área.

Em decisão publicada em julho, a Justiça do Amazonas manteve as duas profissionais como rés e rejeitou pedidos das defesas para anular a denúncia e encerrar o processo. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) também instaurou processos ético-profissionais para apurar possíveis irregularidades na assistência prestada à criança.

Fonte: Portal Tucumã.

Foto distribuída pela Portal Tucumã